Desde 11 de agosto de 2026 dá para comprar Anúncio no ChatGPT no Brasil. Onze dias depois, alguém já estava vendendo o que não está à venda.
A promessa circula assim: “coloco a sua marca dentro das respostas do ChatGPT”. Às vezes com print. Às vezes com a palavra “garantido”. É mentira — e o melhor é que não precisa de fé para derrubar. Precisa de dois minutos e de um arquivo de texto que já existe no seu site.
Porque o que se compra ali é um quadradinho que aparece depois que a resposta termina, separado dela, com a palavra “Patrocinado” em cima. A resposta em si não entrou no leilão. E os dois nem passam pela mesma porta.

O vilão deste texto tem nome: o Vendedor de Resposta
Ele apareceu rápido. Em menos de duas semanas de plataforma no país, já tinha proposta pronta, tabela de preço e um slide explicando “posicionamento em IA”. Não é golpista de rua — muitas vezes é gente séria que leu três notícias e concluiu depressa. O problema não é a má-fé. É que ele está vendendo uma coisa que a arquitetura do produto não entrega.
O golpe contra ele não é retórico, é documental. A OpenAI não manda um robô ao seu site. Manda quatro, com funções diferentes — e o que decide se você é citado numa resposta não é o mesmo que cuida de anúncio. Não dá para comprar o primeiro. Nunca deu.
Quem entender isso nos próximos dez minutos vai conseguir fazer duas coisas: reconhecer a proposta furada quando ela chegar, e conferir, no próprio site, qual porta está aberta e qual foi fechada — provavelmente sem você saber. Vamos por partes, sem pressa e sem jargão.
Antes de tudo: o que a OpenAI diz, nas palavras dela
Comecemos pelo documento, não pela opinião. No texto em que anunciou o início dos anúncios, publicado em 9 de fevereiro de 2026, a empresa escreveu:
“Ads do not influence the answers ChatGPT gives you. Answers are optimized based on what’s most helpful to you. When you see an ad, they are always clearly labeled as sponsored and visually separated from the organic answer.”
OpenAI, Testing ads in ChatGPT, 9 de fevereiro de 2026
Em português: “Os anúncios não influenciam as respostas que o ChatGPT te dá. As respostas são otimizadas com base no que é mais útil para você. Quando você vê um anúncio, ele é sempre claramente identificado como patrocinado e visualmente separado da resposta orgânica.”
Separe duas coisas que costumam ser embrulhadas juntas. Isso é uma declaração pública, com data, que qualquer um confere no site da empresa. Isso não é uma auditoria feita por alguém de fora. Eu provo que a OpenAI afirma; não provo que é assim na prática — e ninguém de fora prova, por enquanto.
Por isso o resto deste texto não se apoia na promessa dela. Se apoia em como a engrenagem funciona. Promessa se acredita; engrenagem se confere.
Os três portões — e por que o gratuito e o pago nem se cruzam
Calma que essa parte parece complicada e não é.
Todo site tem um arquivo chamado robots.txt. É um texto simples, público, sempre no mesmo lugar: o endereço do seu site com /robots.txt no fim. A função dele é uma só — dizer aos robôs que vasculham a internet o que eles podem ler. É o porteiro com a lista na mão.
A OpenAI manda quatro robôs. Cada um com uma função. E é aqui que quase todo mundo tropeça, porque trata os quatro como se fossem um.
OAI-SearchBot— o portão da resposta. É ele que lê o seu site para que o ChatGPT possa te citar quando alguém perguntar. Barrou este, saiu das respostas. A documentação não dá margem: “Sites that are opted out of OAI-SearchBot will not be shown in ChatGPT search answers, though can still appear as navigational links.” — em português: “Sites que optaram por sair do OAI-SearchBot não serão exibidos nas respostas de busca do ChatGPT, embora ainda possam aparecer como links de navegação”.GPTBot— o portão do treinamento. Coleta conteúdo para ensinar os modelos. Barrar este significa “não use meu material para treinar a sua IA”. A documentação não diz que isso afeta a busca. É outra conversa, com outra consequência.OAI-AdsBot— o portão do anúncio. Existe um robô só para publicidade: confere se a página que você quer anunciar é segura e ajuda a decidir onde o anúncio cabe. O que ele coleta não vai para o treinamento.ChatGPT-User— o mensageiro. Entra em cena quando a própria pessoa pede ao ChatGPT para abrir uma página. Como quem pediu foi o usuário, a documentação avisa que “robots.txt rules may not apply” — “as regras do robots.txt podem não se aplicar”. E ele não decide se você aparece na busca.
Agora junte. Ser citado e ser anunciado passam por robôs diferentes, com nomes diferentes, criados para coisas diferentes. Dinheiro de mídia não entra no caminho que decide quem é citado. Não porque alguém prometeu se comportar — porque são dois sistemas, com duas portas, e uma delas não tem preço afixado.
É aqui que o Vendedor de Resposta cai. Ele não está exagerando uma entrega: está oferecendo um portão que não é dele.
O erro que o mercado inteiro cometeu — e talvez você junto
Entre 2023 e 2024, muita empresa mandou bloquear o GPTBot. Virou recomendação padrão: “bloqueia a IA, protege seu conteúdo”. Pela documentação da OpenAI, isso não custou uma única citação nas respostas do ChatGPT. Protegeu do treinamento. Foi só isso que fez.
Quem sumiu das respostas foi outro grupo, por dois caminhos. Alguns bloquearam o OAI-SearchBot sabendo o que faziam. A maioria usou uma regra genérica que significa “nenhum robô entra em lugar nenhum” — User-agent: * seguido de Disallow: / — e derrubou os quatro de uma vez, sem nunca saber que eram quatro.
Não é preguiça de ninguém. É que a informação estava em quatro linhas de uma documentação técnica em inglês, e a decisão foi tomada por quem instalou um plugin.
Pare e faça isto agora. Abra uma aba e digite o endereço do seu site com /robots.txt no fim — por exemplo, suaempresa.com.br/robots.txt. Vai aparecer um texto simples. Procure os quatro nomes e responda:
- Achou
OAI-SearchBotcom um “Disallow” embaixo? Seu site está fora das respostas do ChatGPT. A pergunta que importa: alguém decidiu isso, ou apenas aconteceu? - Achou
GPTBotbloqueado? Tudo bem — é uma decisão legítima sobre treinamento. Só não confunda com visibilidade. Uma coisa não é a outra. - Achou
Disallow: /logo abaixo deUser-agent: *? Essa linha vale para todos os robôs. Inclusive os quatro. Inclusive o do anúncio. - Pretende anunciar e o
OAI-AdsBotestá barrado? Resolva antes: é ele que confere a página que você vai submeter.
“Antes de comprar espaço na porta da frente, veja se você não trancou a porta dos fundos por engano. Sai mais barato, e é onde entra a gente que não veio comprar — veio conferir se você existe.”
O Arquiteto da Forja
Quem não vê o seu anúncio
Antes de reservar verba, a pergunta que quase ninguém faz: o seu cliente está na parte do ChatGPT que tem anúncio?
A OpenAI é específica. Anúncio aparece para adultos, logados, nos planos Free (gratuito) e Go — o Go é o plano barato, oito dólares por mês. Quem assina Plus, Pro, Business, Enterprise ou Education não vê anúncio nenhum. Contas identificadas como de menores de 18 anos ficam de fora.
E tem um detalhe que ainda não vi ninguém comentar por aqui: mesmo quem usa a versão gratuita pode desligar os anúncios. Nas palavras da empresa, dá para “opt out of ads in the Free tier in exchange for fewer daily free messages” — em português: “optar por não ver anúncios no plano gratuito, em troca de menos mensagens gratuitas por dia”.

Some tudo. O público alcançável não é “quem usa ChatGPT”. É o adulto, logado, no gratuito ou no de oito dólares, que não escolheu sair. Bem menos gente do que a manchete sugere.
E há uma consequência direta para quem vende para empresa: se quem assina o contrato é o diretor cuja empresa paga o plano corporativo, ele jamais verá o seu anúncio. Nenhum. Você só chega nele pelo caminho gratuito — o portão da resposta. Aquele que talvez esteja trancado no seu site.
O que pode ser anunciado — e é bem menos do que parece
Aqui vem a parte que deveria abrir toda conversa comercial sobre a plataforma, e que quase ninguém leu: existe um documento de políticas de anúncio, ele é versionado, e já mudou quatro vezes desde março.
Isso importa porque a frase mais repetida por aí saiu do anúncio de fevereiro — o de que anúncios não aparecem perto de temas como saúde, saúde mental e política. Só que em abril a própria OpenAI registrou no histórico de alterações:
“We refined our ads placement policy to apply a more precise approach in some regulated-advice contexts. Medical, legal, and financial advice contexts are no longer categorically blocked from ads by default. Sensitive conversations and other prohibited contexts remain ineligible for ads.”
OpenAI, Ad policies, changelog v1.1, abril de 2026
Em português: “Refinamos a política de veiculação para aplicar uma abordagem mais precisa em alguns contextos de aconselhamento regulado. Contextos de aconselhamento médico, jurídico e financeiro não são mais bloqueados por padrão de forma categórica. Conversas sensíveis e outros contextos proibidos permanecem inelegíveis para anúncios.”
Guarde a lição antes do conteúdo: quem cita a regra da manchete de fevereiro está citando algo que mudou em abril. A versão em vigor quando escrevemos isto é a v1.4, de agosto de 2026. Política de plataforma tem número de versão — trate como software, não como frase.
Duas perguntas diferentes que todo mundo mistura
O documento separa duas coisas, e confundi-las é a origem de metade da confusão:
1) Onde o anúncio pode aparecer. A OpenAI bloqueia a veiculação em conversas que chama de sensíveis — entre elas, “mental and personal health conversations” (conversas sobre saúde mental e saúde pessoal), contextos de dependência emocional, conteúdo político, ódio, violência gráfica, fraude, automutilação, armas e produtos regulados como jogos de azar e tabaco. Repare no sujeito: é o assunto da conversa, não a categoria de quem anuncia. Você pode ter um produto impecável e simplesmente não haver conversa disponível.
2) O que pode ser anunciado. E aqui está o dado que muda qualquer planejamento no Brasil. Durante esta fase inicial, a lista de categorias permitidas é curta:
“During the initial test period, ads are primarily limited to consumer verticals such as lifestyle and household goods, local services, travel and experiences, and digital products or education.”
OpenAI, Ad policies v1.4
Em português: “Durante o período inicial de teste, os anúncios estão limitados principalmente a segmentos de consumo como produtos de estilo de vida e para casa, serviços locais, viagens e experiências, e produtos digitais ou educação.”
E, na frase seguinte: “All other categories are disallowed at launch” — “todas as demais categorias estão proibidas no lançamento”.
Leia devagar. Não é “algumas categorias têm restrição”. É quatro caixas permitidas e o resto fechado, com exceções liberadas caso a caso, na mão, para anunciantes aprovados em serviços financeiros, saúde e serviços jurídicos.
A linha que decide para o anunciante brasileiro
As exceções caso a caso não são para todo mundo. O documento é explícito duas vezes:
- Sobre saúde: “Ads for health services outside the US are generally prohibited.” — “anúncios de serviços de saúde fora dos Estados Unidos são geralmente proibidos.”
- Sobre finanças: “Ads for financial services outside the US are generally prohibited.” — “anúncios de serviços financeiros fora dos Estados Unidos são geralmente proibidos.”
O Brasil é fora dos Estados Unidos. Então, se você é clínica, laboratório, plano de saúde, corretora, consultoria financeira ou correlato, a conversa acaba aqui por enquanto — e é melhor descobrir isso lendo um artigo do que depois de aprovar um orçamento.
Serviços jurídicos são proibidos sem carve-out geográfico: nada de advocacia, imigração, dano pessoal ou preparação de documentos. Conteúdo educativo sobre direito, sem oferta de serviço, pode passar.
Duas fronteiras que salvam quem trabalha com bem-estar: produto de saúde e bem-estar sem alegação médica costuma ser aceito — equipamento de ginástica, produto de nutrição geral, suplemento vendido em grande varejo. O que derruba é a alegação: emagrecedor, detox, promessa de tratamento, ou o que a política chama de explorar preocupação com a imagem corporal. Ou seja, muitas vezes não é o seu produto que está barrado — é a frase que você ia escrever sobre ele.
Mais duas regras que pegam gente desavisada: o anúncio precisa ser coerente do começo ao fim (a própria OpenAI dá o exemplo de um anúncio de entrega de comida que leva a uma página de entrega de bebida alcoólica — reprovado), e não pode imitar a aparência ou a voz do ChatGPT, para que ninguém confunda o anúncio com o produto.
Se o seu negócio orbita saúde, saúde mental, finanças, direito ou política, confira isso primeiro. Antes do criativo, antes do orçamento, antes de pedir proposta para qualquer agência — inclusive para a nossa.
A segmentação virou um campo de texto. E é de propósito.
Se você já anunciou no Google ou no Meta, conhece o ritual: escolher idade, cidade, interesses, palavras-chave. Marcar caixinhas até desenhar o público.
Aqui não existe caixinha.
No lugar delas há um campo chamado context hints — “dicas de contexto”. A OpenAI o descreve como “Free-form audience or placement hints”: em português, “dicas de público ou posicionamento em formato livre”. Na prática, uma lista de descrições ou palavras-chave que você escreve com as suas palavras, dizendo em que tipo de conversa o seu produto faz sentido. A referência técnica da API mostra o formato: uma lista, com exemplos curtos como ["productivity", "team collaboration"] — temas, não frases.
E a documentação já corta quem pensou em burlar: “These hints help guide ad matching, but they are not exact-match keywords and do not guarantee delivery in specific conversations.” — em português: “Essas dicas ajudam a orientar a correspondência do anúncio, mas não são palavras-chave de correspondência exata e não garantem a entrega em conversas específicas.”
Ou seja: você não escolhe onde aparecer. Você descreve, e o sistema decide.
Agora a parte que muda o diagnóstico. É natural ler isso como produto novo e incompleto, que ganhará as caixinhas depois. Não vai. A OpenAI declarou que pretende construir “guardrails to prevent narrow ads targeting” — “proteções para impedir segmentação estreita de anúncios”. A limitação não é uma falta. É o projeto.
O que isso faz com o trabalho é bonito e desconfortável ao mesmo tempo: a mira deixou de ser um painel e virou um texto. Quem descreve o próprio cliente com precisão sai na frente. Quem escreve “donos de empresa” naquela caixa entregou a decisão à sorte — e vai dizer, com a mesma convicção, que “testou o ChatGPT Ads”.
É aqui que fica evidente por que a Forja repete que estratégia vem antes de mídia. Não é slogan: naquela caixa de texto, quem não tem público definido literalmente não tem o que digitar.
Se a sua marca já é citada, otimizar pode te derrubar
Agora o lado gratuito — e um dado que contraria boa parte do que se vende como GEO (a sigla da moda para “aparecer nas respostas de IA”). Se o assunto é novo para você, vale ler antes o fim da esperança como estratégia, sobre o mercado zero-click, onde explicamos por que as pessoas passaram a receber respostas sem clicar em nada.
O estudo que criou o termo é acadêmico: GEO: Generative Engine Optimization, de Aggarwal e colegas, apresentado na KDD 2024, uma das principais conferências da área. Eles testaram nove técnicas e mediram quanto cada uma aumentava a presença de um site dentro da resposta gerada.
A medida usada chama-se Position-Adjusted Word Count. Em bom português: quanto do texto da resposta veio da sua página, dando peso maior ao que aparece logo no começo. Não é clique, não é visita, não é venda — é espaço ocupado dentro da resposta.
O achado que interessa aparece quando eles separam os resultados pela posição que o site já ocupava antes de otimizar:
| Técnica aplicada na página | Site que já era o 1º | Site que era o 5º |
|---|---|---|
| Citar fontes | −30,3% | +115,1% |
| Incluir citação de especialista | −22,9% | +99,7% |
| Incluir estatísticas | −20,6% | +97,9% |
A legenda da tabela original não deixa dúvida: “GEO is especially helpful for lower ranked websites” — “o GEO é especialmente útil para sites de posição mais baixa”.
Quem estava em último quase dobra de presença. Quem já estava em primeiro perde entre 20% e 30% fazendo exatamente as mesmas coisas.
Dois avisos honestos, porque o número é bom demais para sair sem etiqueta. Primeiro: o teste principal rodou num ambiente montado pelos pesquisadores — pegavam os cinco primeiros resultados do Google e entregavam ao GPT-3.5, que escrevia a resposta. A checagem no mundo real foi feita no Perplexity, com ganho de 22%. Nada disso foi medido dentro do ChatGPT. Segundo: é um estudo, não uma lei da natureza. Serve para orientar hipótese, não para prometer resultado.
Ainda assim a direção é clara o bastante para mudar uma conversa: essas técnicas são jogada de quem está atrás. Se a sua marca já é a fonte citada, a pergunta certa não é “como otimizo” — é “o que eu não devo mexer”. Ninguém tempera de novo uma lâmina que já está no ponto.
O próximo formato já apareceu: o anúncio que responde
Vale olhar para onde isso caminha, porque muda o que um anunciante precisa ter pronto.
Nas imagens do material oficial da OpenAI aparece um botão escrito “Chat with” seguido do nome da marca. Tocando nele, abre uma conversa com a empresa anunciante, dentro do próprio ChatGPT: o nome dela no topo, um campo escrito “Ask” (pergunte) e a marca respondendo sobre os próprios produtos.
A OpenAI descreve como direção, não como coisa pronta: “soon you might see an ad and be able to directly ask the questions you need to make a purchase decision” — em português: “em breve, você poderá ver um anúncio e fazer diretamente as perguntas de que precisa para decidir uma compra”. Não trate como recurso disponível hoje no Brasil sem conferir na tela.
Mas pense na consequência desde já. Se o anúncio vira conversa, o que você entrega deixa de ser uma peça e passa a ser um interlocutor. Isso não se resolve com arte bonita. Resolve-se com a marca escrita: o que ela é, para quem serve, o que responde quando perguntam preço, o que nunca promete. Quem tem isso documentado responde bem. Quem não tem, improvisa — e agora improvisa na frente do cliente, dentro de uma conversa que ele vai lembrar.
A armadilha: achar que é só mais um canal
Aqui vale dizer o que torna esta plataforma difícil, e não é a tecnologia. É que não existe histórico. Não há benchmark de mercado, não há “custo médio do setor”, não há colega que rodou seis meses e te conta. Quem apresentar número de referência hoje está inventando ou importando de outro lugar. Decidir sem régua é o trabalho — e é por isso que o mapa importa mais que a tabela.
Os quatro erros mais caros são todos de leitura, não de orçamento:
- O prazo de contagem é diferente. Cada plataforma tem uma janela para creditar uma venda ao anúncio. A daqui não é a do Meta. Comparar custo por cliente sem ajustar é medir com réguas diferentes e chamar a diferença de resultado.
- Aquela regra de “conversões por semana” é de outro lugar. Todo gestor repete um número mínimo de conversões semanais para a campanha “sair do aprendizado”. Esse número é de outra plataforma. Aqui não vale, e ninguém publicou o equivalente. Repetir é contrabando.
- O padrão nasce ligado — aqui também. Se você acompanhou o que a Meta liga no seu anúncio sem você pedir, reconhece o hábito: no pixel da OpenAI há um recurso que já nasce ativado e coleta o que as pessoas digitam nos formulários do seu site — e a responsabilidade legal fica com você, não com a plataforma. É assunto do próximo texto da série; por ora, saiba que existe antes de instalar qualquer coisa.
- A copy é curta — e há dois números diferentes em jogo. O limite técnico da plataforma é título de 3 a 50 caracteres e texto de até 100. Mas o guia de criativo da própria OpenAI recomenda mirar cerca de 16 no título e 32 na descrição. Não confunda um com o outro: cabem 50, mas quem escreve para o alvo escreve muito mais curto do que está acostumado. Nesse espaço não cabe promessa, não cabe prova, não cabe gatilho — cabe uma ideia com nome. E só tem ideia com nome quem resolveu o posicionamento antes de abrir o gerenciador.

O resumo em uma página
| Gratuito: ser citado na resposta | Pago: o anúncio | |
|---|---|---|
| Robô que decide | OAI-SearchBot |
OAI-AdsBot |
| Onde aparece | dentro da resposta | depois dela, marcado como “Patrocinado” |
| O que custa | trabalho de conteúdo | leilão: paga-se o suficiente para superar o segundo colocado, e a relevância pesa tanto quanto o lance |
| Quem alcança | todo mundo, em qualquer plano | só adultos do gratuito e do Go que não desligaram anúncios |
| Como se mira | estrutura e clareza do conteúdo | uma lista de temas em texto livre |
| Conversas bloqueadas | nenhuma | saúde mental e pessoal, política e outros contextos sensíveis |
| Quem pode anunciar | qualquer negócio | quatro categorias no lançamento; saúde e finanças geralmente proibidas fora dos EUA; jurídico proibido |
| O que não está à venda | a resposta | |
O Vendedor de Resposta vai continuar batendo na sua porta — provavelmente com um print novo e a mesma garantia. Agora você tem como conferir: pergunte a ele qual dos quatro robôs ele pretende usar. Se a resposta vier embrulhada, você já sabe o que fazer.
Não se compra a posição de fonte confiável dentro de uma resposta; ela se merece. Compra-se o espaço logo abaixo dela. São dois trabalhos, dois portões, e nenhum dos dois começa no gerenciador de anúncios. Estratégia antes da mídia.
Verificado em 22 de agosto de 2026 contra a documentação oficial da OpenAI (developers.openai.com e as páginas de anúncio) e contra o artigo original do estudo GEO. Revisão: Edu Kirsch. Esta plataforma tem menos de um mês no Brasil e muda com frequência — se você está lendo bem depois desta data, confira na fonte antes de agir.
Correção — 22 de agosto de 2026, no mesmo dia da publicação. Depois de publicar, lemos a referência técnica completa da API e ajustamos dois pontos: o campo de segmentação recebe uma lista de temas, não um texto corrido; e os 16 caracteres do guia de criativo são um alvo recomendado, não o limite — que é 50 no título e 100 no texto. Nenhuma das duas muda o argumento, mas um texto que cobra fonte precisa corrigir o que publica.
// diagnóstico
Você não compra a resposta. Compra saber a quem responder.
O campo que decide a sua entrega no ChatGPT é um texto livre onde você descreve o seu público em prosa. De graça, o Códice mapeia a identidade, o arquétipo e o público (ICP) do seu negócio — é esse texto que você vai precisar ter pronto antes de abrir qualquer gerenciador de anúncios.
Perguntas frequentes sobre anúncio no ChatGPT
Dá para anunciar no ChatGPT no Brasil?
Dá. A OpenAI anunciou em 11 de agosto de 2026 que os anúncios no ChatGPT foram lançados no Reino Unido, México, Brasil, Japão e Coreia do Sul. Antes disso o teste rodava nos Estados Unidos, desde 9 de fevereiro de 2026, e depois no Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
Quem vê os anúncios do ChatGPT?
Adultos logados nos planos Free e Go. Quem assina Plus, Pro, Business, Enterprise ou Education não vê anúncio. Contas identificadas como de menores de 18 anos também são excluídas. E o usuário do plano gratuito pode desligar os anúncios, aceitando em troca menos mensagens por dia. Na prática, o público alcançável é menor do que a base total de usuários.
O anúncio muda a resposta que o ChatGPT me dá?
A OpenAI afirma que não. No texto em que anunciou o teste, a empresa escreve que os anúncios não influenciam as respostas e que aparecem sempre rotulados como patrocinados e visualmente separados da resposta orgânica. Vale registrar o que isso é: uma declaração da plataforma, com data e fonte pública — não uma auditoria independente.
Bloquear o GPTBot tira o meu site das respostas do ChatGPT?
Não. Pela documentação da OpenAI, o GPTBot serve para treinamento de modelo, e bloqueá-lo não tem efeito declarado sobre a busca. Quem decide se você aparece nas respostas é outro rastreador, o OAI-SearchBot. Muita gente bloqueou o robô errado achando que estava se protegendo — e muita gente bloqueou os dois sem querer, usando uma regra curinga no robots.txt.
Como faço para aparecer nas respostas do ChatGPT sem pagar?
Primeiro, não estar bloqueado: confira o OAI-SearchBot no seu robots.txt. Depois, é trabalho de conteúdo — estrutura que permita extrair a passagem, resposta direta no início de cada seção, e credibilidade verificável. Não existe garantia de citação, e quem prometer isso está vendendo o que não controla.
Meu negócio é da área de saúde. Posso anunciar no ChatGPT?
Provavelmente não, se você vende serviço de saúde e está no Brasil. A política de anúncios da OpenAI, na versão de agosto de 2026, diz que anúncios de serviços de saúde fora dos Estados Unidos são geralmente proibidos. A mesma regra vale para serviços financeiros. Serviços jurídicos são proibidos sem exceção geográfica. Já produto de bem-estar sem alegação médica costuma ser aceito — o que derruba, quase sempre, não é o produto, é a promessa escrita sobre ele.
Quais categorias podem anunciar no ChatGPT hoje?
Na fase inicial, quatro: produtos de estilo de vida e para casa, serviços locais, viagens e experiências, e produtos digitais ou educação. A política diz literalmente que todas as demais categorias estão proibidas no lançamento, com liberações caso a caso, revisadas manualmente, para anunciantes aprovados em finanças, saúde e jurídico. A expectativa declarada é ampliar com o tempo.
As regras de anúncio do ChatGPT mudam?
Mudam, e com número de versão. O documento de políticas está na versão 1.4, de agosto de 2026, e já teve quatro alterações desde março. Em abril, por exemplo, contextos de aconselhamento médico, jurídico e financeiro deixaram de ser bloqueados por padrão de forma categórica. Quem repete a regra da manchete de fevereiro está citando algo que já mudou — confira a versão antes de decidir.