A Rede de Display do Google alcança mais de 90% dos usuários da internet, em mais de 2 milhões de sites, vídeos e apps (Ajuda do Google Ads, conferido em setembro de 2026). É esse número gigante que engana: a maioria trata o Display como depósito de banner — sobe uma imagem, escolhe “alcance” e reza. O resultado é sucata cara. Aqui vai a verdade que ninguém te conta: no Display, ao contrário da Pesquisa, ninguém está procurando você — você é a interrupção. E interrupção genérica o cérebro apaga em silêncio. Este é o manual do criativo que sobrevive: as specs que não se negocia, os tamanhos que cobrem o território, e o que a IA responsiva exige de você para não amplificar a sua mediocridade.
Leia isto antes
A campanha de Display está sendo substituída pelo Demand Gen
O Google publicou o calendário: desde junho de 2026 quem se qualifica já pode migrar as campanhas de Display para Demand Gen por uma ferramenta dentro da conta. E, nas palavras dele, “campanhas novas só poderão ser criadas no Demand Gen, e as que restarem serão migradas automaticamente” (Ajuda do Google Ads, conferido em setembro de 2026).
Repare onde esse aviso não está: nas páginas de ajuda do próprio Display, que seguem descrevendo tudo como se nada fosse mudar. Quem confere a documentação do produto que usa não descobre que ele está saindo de cena.
Por que este manual continua valendo: o que migra é o tipo de campanha, não a régua do criativo. Peso de arquivo, zona segura, contraste, conceito e a lógica de alimentar uma IA com matéria-prima boa atravessam a mudança inteiros — e o Demand Gen é ainda mais dependente deles, porque lá a máquina não só combina as suas peças: ela gera peças novas.
E o que se ganha na troca
Quase todo material sobre isso só fala do que se perde. Vale dizer o outro lado, porque ele é concreto: segundo a própria documentação, o Demand Gen devolve duas coisas que a Performance Max não dá — escolher em qual canal o anúncio aparece e rodar teste A/B (Ajuda do Google Ads, conferido em setembro de 2026). Quem já se irritou com a caixa-preta da PMax sabe o tamanho dessas duas.
E o alcance do Display não desaparece: ele vira uma das superfícies, ao lado do YouTube, do Shorts, do Discover, do Gmail e do Maps. Some o tipo de campanha; ficam o inventário e, agora, a escolha.
Em troca, a máquina ganha um papel maior: lá ela gera peça — vídeo em outras orientações, imagem nova a partir de um texto, títulos e descrições. É excelente para quem entrega material bom, e é exatamente onde mora o risco de quem não entrega. Quem manda pouco não recebe uma campanha pequena: recebe uma campanha inventada — e assina embaixo.
No Display, Você é o Intruso (e Tudo Bem)
Comece aceitando o que quase ninguém admite: no Display, você é intruso. Na Pesquisa, o cliente digita o que quer e você aparece como resposta. No Display, ele está lendo notícia, vendo vídeo, jogando — e o seu banner é o barulho no meio. Por isso a taxa de clique (CTR) do Display é uma fração da Pesquisa.
// dados
CTR médio: Pesquisa × Display — a diferença é o meio, não você
CTR médio cross-indústria (compilações WordStream / Smart Insights, 2024). Varia bastante por setor, mas a diferença estrutural é consensual: na Pesquisa há intenção ativa; no Display, interrupção. Nunca meça uma campanha de Display com a régua da Pesquisa — você vai parecer um fracasso sem ser.
Ou seja: ~0,46% no Display contra ~3,2% na Pesquisa, quase 7× menos. Isso não é fracasso — é a natureza do meio. O erro de verdade é achar que o alcance de 90% compensa um criativo copiado da concorrência. Não compensa. Se o seu banner parece o do vizinho, o cérebro — que é treinado para ignorar o familiar e poupar energia — apaga os dois de uma vez.
As Specs que Não se Negocia
Um ferreiro que não conhece o peso do martelo quebra o próprio pulso. Aqui vale a dicotomia do controle: você não controla o algoritmo, mas controla cada pixel e cada byte que manda para a batalha. E o Google é implacável com a negligência técnica — então trave estes números:
- Peso — e aqui quase todo material erra: 150 KB para anúncio de imagem e 600 KB para HTML5. São limites diferentes (Ajuda do Google Ads, conferido em setembro de 2026). Não é sugestão, é o limite: arquivo pesado não carrega, e anúncio que não carrega não existe.
- Formatos: GIF, JPG e PNG para imagem; ZIP para HTML5.
- Marca obrigatória e honesta: o Google exige a sua identidade no anúncio. Botão de “play” falso ou qualquer elemento enganoso = reprovação imediata, por política. Truque visual não é criatividade; é o caminho mais curto para a desconfiança.
Os tamanhos que cobrem o território
Cada site tem uma fresta diferente. Para aparecer em todas, tenha o arsenal completo:
| Categoria | Tamanhos essenciais (pixels) |
|---|---|
| Quadrados e retângulos | 300×250 · 336×280 · 250×250 · 200×200 |
| Skyscraper (verticais) | 160×600 · 300×600 · 120×600 |
| Leaderboards (horizontais) | 728×90 · 970×90 · 468×60 · 970×250 |
| Mobile | 300×50 · 320×50 · 320×100 |
| Também aceitos | 240×400 · 250×360 · 580×400 · 300×1050 · 930×180 · 980×120 |
Anúncios Responsivos: Você Alimenta, a IA Monta
O Google unificou tudo nos Anúncios Responsivos de Display: você entrega as peças (títulos, imagens, logos) e a IA monta e testa as combinações em tempo real, em cada fresta de cada site. Poderoso — e cego sem você. IA sem diretriz humana só otimiza para o “menos pior”. Entregue matéria-prima de alto nível:
- 1200×628 (paisagem, 1,91:1): a copy é grito de guerra — grande, legível, que quebra o padrão da tela.
- Quadrado (1:1): o Google recomenda 600×600 (mínimo 300×300). Entregar em 1200×1200 não prejudica e ainda serve para a Performance Max — só não confunda o recomendado com o exigido.
- Logo (1200×1200 e 1200×300): legitimidade. Sem brasão, não há confiança. Na ficha do Google o logo é opcional; na prática, anúncio sem assinatura não é clicado por quem não te conhece.
- Vídeo — a vaga que quase todo mundo deixa vazia: o anúncio responsivo aceita até 5 vídeos, nas três orientações (16:9, 1:1 e 2:3), com 2 recomendados e cerca de 30 segundos. A maioria dos manuais de Display não menciona isso, e é justamente onde sobra espaço.
Os limites de texto, que ninguém escreve no briefing
Não adianta a arte estar certa e o texto voltar para refazer. A ficha oficial (Ajuda do Google Ads, conferido em setembro de 2026):
| Peça | Limite | Quantas |
|---|---|---|
| Títulos | 30 caracteres | 1 a 5 |
| Título longo | 90 caracteres | 1 |
| Descrições | 90 caracteres | 1 a 5 |
| Nome da empresa | 25 caracteres | 1 |
| Chamada (CTA) | automática | 1 |
A armadilha aqui é o Efeito Dunning-Kruger: achar que, porque “a IA otimiza sozinha”, você não precisa pensar na jornada. A IA testa combinações — mas se todas as suas imagens são medíocres, ela só acha a menos ruim. É o mesmo paradoxo da Performance Max: a máquina amplifica a estratégia que você entrega a ela.
Verdade Vende Mais que Truque
O cliente de 2026 tem um radar de mentira afiado. Quando o anúncio tenta parecer o que não é — clickbait, falsa urgência, print inventado —, ele fareja a manipulação e se afasta com nojo. A sua arte tem que carregar a essência do negócio: produto rústico pede design denso; produto tecnológico pede design limpo. Quando o banner promete uma coisa e a marca entrega outra, você queima a confiança (e o LTV) antes da primeira venda.
“O que é bem forjado na mente, o mercado não consegue derreter.” — Provérbio da Forja
A Fase de Aprendizado e a Paciência do Ferreiro
O Google avisa: mudanças levam de 12 a 24 horas para propagar e a fase de aprendizado dura cerca de uma a duas semanas. O anunciante ansioso mexe na campanha no segundo dia — esfria o aço antes da hora e o deixa quebradiço. Intervir na fase de aprendizado é abrir o forno enquanto o pão cresce: reinicia o ciclo, confunde a IA e queima orçamento. Amor Fati: configure, publique e observe com desapego de mestre. Espere de 7 a 14 dias antes de julgar. Se o resultado for ruim, o problema não é o algoritmo — são os recursos que você deu a ele.
O Plano Antes da Ferramenta
A automação do Display só funciona sobre um plano. O analista domina o Google Ads Editor; você, o dono, domina a dor que tira o sono do seu cliente. Se você não traduz essa dor num conceito visual, nenhuma segmentação te salva. A automação não faz milagre — acelera a sua verdade (ou multiplica o seu caos).
Checklist para a próxima forja
- Derrube o óbvio. Se o seu anúncio parece um anúncio, já falhou. Ele tem que parecer uma solução — ou uma interrupção que valeu a pena.
- Soberania visual. Imagem de verdade. Foto de banco de imagem genérica é a ferrugem do marketing.
- Hierarquia. Um título que desafia, uma descrição que ancora, um CTA que convida.
- Teste de estresse. Marca visível e a promessa do banner cumprida na página de destino.
- Preencha a vaga de vídeo. O responsivo aceita até 5, em 16:9, 1:1 e 2:3. Deixar em branco não significa ficar sem vídeo — significa ficar com o que a máquina montar.
- Entregue o texto no limite certo. Títulos de 30, título longo de 90, descrições de 90, nome da empresa de 25. Texto que estoura volta para refazer e atrasa a subida.
- Produza já pensando na migração. O que sair por esta régua entra no Demand Gen sem retrabalho: as proporções, os pesos e a zona segura são os mesmos. O que muda é quem preenche o que você deixar em branco.
Conclusão
A troca assusta mais do que custa. O que o Google está aposentando é o tipo de campanha — não o inventário, e não a régua. Peso de arquivo, zona de segurança, contraste, hierarquia e conceito vão decidir o resultado no Demand Gen exatamente como decidiam no Display.
E, na conta final, você sai com mais do que entrou: escolha de canal e teste A/B de volta, duas coisas que a Performance Max não devolve, sobre um alcance que agora junta YouTube, Shorts, Discover, Gmail e Maps na mesma campanha. Some uma caixa; chega uma alavanca.
O que muda de verdade é o peso do seu material. Antes, criativo fraco rendia pouco. Agora, criativo fraco convida a máquina a inventar no seu lugar — e o que ela inventa sai com o seu nome, não com o dela.
O fogo está alto e a bigorna espera. A pergunta deixou de ser se você domina o Display. É se o que você entrega aguenta uma máquina que preenche sozinha tudo o que você deixar em branco.
// diagnóstico
Seu criativo carrega a essência da marca ou é chumbo genérico?
No Display, criativo copiado é invisível. De graça, o Códice mapeia a sua identidade, o seu arquétipo e o seu público (ICP) — a essência que todo banner precisa carregar.
Perguntas frequentes
O Google vai acabar com a Rede de Display?
Com a Rede não; com o tipo de campanha, sim. O Google publicou que desde junho de 2026 quem se qualifica já pode migrar as campanhas de Display para o Demand Gen por uma ferramenta na conta, e que, mais adiante, campanhas novas só poderão ser criadas no Demand Gen — as que restarem serão migradas automaticamente. O inventário continua existindo; o que muda é por onde você compra e quanta coisa a IA gera por você. A régua de criativo deste manual atravessa a mudança inteira.
Quais são os tamanhos de banner para o Google Display?
Os essenciais: 300×250, 336×280, 250×250 e 200×200 (quadrados/retângulos); 160×600, 300×600 e 120×600 (verticais); 728×90, 970×90, 468×60 e 970×250 (horizontais); 300×50, 320×50 e 320×100 (mobile). Para os anúncios responsivos: 1200×628 (paisagem), 600×600 no recomendado do Google para o quadrado (1200×1200 também serve) e o logo (1200×1200 e 1200×300). E eles aceitam vídeo: até 5, em 16:9, 1:1 e 2:3.
Qual é o limite de peso de um anúncio de Display?
Depende do formato, e é aqui que muita gente comprime à toa: 150 KB para anúncio de imagem e 600 KB para HTML5. Acima disso o anúncio não carrega — e anúncio que não carrega não existe.
Por que meu anúncio de Display não converte?
No Display você é o intruso, então um CTR baixo (a média fica perto de 0,46%) é normal. O problema costuma ser criativo genérico e falta de conceito, não o algoritmo. Antes de trocar a segmentação, troque a ideia.
Quanto tempo esperar antes de julgar uma campanha de Display?
Respeite a fase de aprendizado (cerca de 1 a 2 semanas) e espere de 7 a 14 dias antes de mexer. Ajustar no segundo dia reinicia o ciclo e confunde a IA.
Preciso de designer para o Google Display?
Você precisa de conceito antes de designer. Sem saber a dor do cliente e a essência da marca, o design mais bonito vira só ruído bonito.